AO MACHADO, COM AMOR (II)

 

Nasce mulato no Livramento,
ga-ga-gago de nascimento,
como coroinha tenta crescer,
prefere os doces vender.

Perde irmã, perde mãe, perde pai,
pela madrasta ser criado vai.

Autodidata como o padeiro
que lhe ensinou as línguas
do mundo inteiro.

[Menino Machado, o brasileiro!]

No mundo das letras encontra a paz,
o padrinho Paula se encanta cada vez mais
desde os primeiros versos
do menino epiléptico.

[Moço Machado, romântico sério!]

Passatempo, tempo passa,
uma Carolina seu peito transpassa.

Casando-se, a literatura permeia,
foi amor de três décadas e meia.

“Machadinho, meu bem, não és romântico,
não crês nisto, és tão irônico”,
comenta [minha doce e meiga] Carolina.

[Homem Machado, a todos ensina]

Vem Brás, Bentinho, Capitu, o esplendor,
virou um ícone: grande escritor.

Tempo passa, passatempo,
vai-se Carolina, seu grande alento.

Morre triste, quase cego,
viu a vida como ninguém.

“A vida é boa”,
murmurou o mestre a alguém.

É o maior nome das letras,
podes discordar,
mas saibas que em minhas prateleiras
sempre irás encontrar:

Meu bom e velho Machado
disposto a me acompanhar.

Severino Figueiredo

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