Coragem!

Traz um café,
Ou um chá, 
Mas não fica em pé,
Vem cá sentar.

Senta não – deita!
Não. Adormece!
Aliás, aproveita
E me aquece.

Ah! coragem,
Não trouxeste nem café nem chá,
Já vi que estás de passagem,
Tudo bem, deixa como está.

Severino Figueiredo

Você!

Será que ela ainda chora
E por ele implora?
Implora amor e recebe dor –
Ela mal sabe como eu estou.

Estou muito bem, vivendo a vida,
E ela? Ainda escondida?
Atrás de algo sem futuro algum,
Para ter seu sentimento levado ao comum?

Que triste! Tanto avisei, quis ajudar –
Mas você, como muitos, não soube escutar.
“É mentira! É mentira!” – falava você.
Fiz a minha parte, tentei te deter.

Te deter do caminho de espinhos.
Logo você, digna de carinhos.
Talvez nos encontremos daqui a algum tempo,
Mas nada além, apenas passatempo.

 

Severino Figueiredo

Inspiração!

O amor virou banal –
Amar qualquer um e de qualquer jeito –
Mas acredito na sua forma natural,
Que eu sinto aqui em meu peito.

Não saio à caça de ninguém,
Quem muito procura nada acha –
E se acha, o encontrado não tem
O que o caçador tanto sonhava.

Ficarei aqui sentado, 
Melhorando ainda mais meu coração,
E quando meu amor eu tiver encontrado,
Direi a ela: “És a minha bela inspiração”.

Severino Figueiredo

Eu e meus nós!

Amo o meu quarto escuro,
O ar mórbido presente nele me atrai,
O tom de solidão é sempre bem visto por
Meus olhos cansados da chata mistura de cores.
Ficar a sós – eu e meus nós.
Nós advindos da vida imperfeita,
De emoções boas e outras más.
Fico bem quando fico só,
Aproveito mais de mim, enquanto é tempo,
Depois da vida, virarei pó.

 

Severino Figueiredo

Amor!

Quero um amor que me lave a alma,
Que me leve à calma,
Que me faça sorrir,
E não pense em partir.
Quero um amor que me queira bem,
Que seja o meu alguém,
Que cuide bem de mim,
E afaste o que for ruim.
Quero um amor que não tenha segredos,
Que entre os meus dedos,
Eu tenha os seus cabelos,
E nos meus lábios,
O gosto do seu beijo.

 

Severino Figueiredo

O tal Deus!

Deus é um artifício
Criado e usado pelos humanos
Para que assim possam fugir do ofício
Da responsabilidade de um dano.

Deus é um ser imaginado
Pela brilhante mente humana,
Que pensa ter amor ao próximo,
Mas o mesmo próximo difama.

Deus é um ser injusto,
Diria ruim, até!
Pois deixa morrer aqueles que o ama,
Dando forças ao ceticismo do sem fé.

Deus para alguns existe,
Para mim ele é inexistente,
Não sei quem tem a razão:
Mas ainda bem que não sou crente.

 

Severino Figueiredo

Não gosto muito!

Não gosto muito de falar:
Quem muito fala, pouco faz,
Prefiro pensar
E dos meus sonhos ir atrás!

Não gosto muito de muita coisa:
Quem muito tem, nada tem,
Prefiro ter a mim
Que não é nada ruim.

Não gosto muito de ser simpático:
Quem muito sorri, muito chora,
Prefiro ter um ar sério,
Pois sei fazer minha hora.

Não gosto muito do barulho:
O silêncio é meu companheiro,
E o procuro para ser inteiro.

Não gosto quase de nada:
Mas quero um amor, livros e filhos,
Para eu cair na gargalhada.

 

Severino Figueiredo