Amor perfeito!

Que amor perfeito:

Quando comparado a nós,

Humanos cheios de defeitos,

Com a linha de pensamento aos nós.

 

Que amor perfeito:

Capaz de se molhar para me ver seco.

Versos são poucos e não serão feitos

Pois o que sinto não transpassa o peito

 

Que amor perfeito:

Desde os nove primeiros meses,

E que sem interesses me fortaleceu

Junto ao líquido calmante que saía do teu seio

 

Que amor perfeito:

Não serás eterna, sei bem disso

Mas em Minh ‘alma viverás para sempre:

Meu amor perfeito.

 

Severino Figueiredo

Cuidado!

Esse tal de amor é um brincalhão!
Esbarra em você
E nesse esbarrão 
Penetra em teu ser:
Sem você querer.
Doma o coração,
Mata a razão
E com toda emoção
Implanta a prisão.

 

Severino Figueiredo

Nas cidades do coração!

Na cidade o tempo corre
É bagunça aqui e ali
E quando alguém morre
É porque chegou a hora de partir

Na cidade o pai corre:
O trabalho em primeiro lugar
E quando o filho para ele morre
Foi o destino que quis aprontar

Na cidade a mulher chora:
É a tal da sensibilidade,
Por conta do homem encantado,
Que não a ama de verdade

Ah! se a tal mulher soubesse
Que o poeta que agora escreve,
Ama o gênero dela com vontade.

 

Severino Figueiredo

!

A esperança de viver, assim como a de morrer,

Não nasce em você, se você temer.

Temer a tempestade, assim como a maldade,

Sorrindo, disfarçada, com essa tal verdade;

A terra vai girando: rindo, cantarolando

Fazendo rotação, junto com a translação,

Que tal entrar com tudo

No mundo da imaginação?

 

Severino Figueiredo

Somos nós!

A mente, demente, sem brotar numa semente

Falhando, travando, o pensar está matando

O belo, o doce, é o corpo quem diz

Lá dentro, bem dentro, frágil como um giz

É o homem, pensante, dono do seu nariz,

Que erra, emperra, esse mundo infeliz.

 

Severino Figueiredo

Boa noite!

Entrou em casa e deparou-se com a mulher e os filhos à mesa de jantar:

– Boa noite – disse ele.

Ninguém respondeu. Estavam todos calados. Mexiam na comida, mas não a levava à boca.

Sentou-se e serviu-se. Após uma pausa na deglutição, insistiu:

– Boa noite!

E mais uma vez ninguém respondeu. Levantaram-se e saíram. E ele ficou só à mesa.

Naquela altura da vida ele não conseguia mais enxergar o que estava acontecendo. Mas eu lhe digo: ele era um homem apenas de boa noite. Seus gestos de marido e pai se escassearam. Ficou o tronco da saudação.

Mas é assim essa caixa mística chamada vida. Uns necessitando de amor. Outros não sabendo amar.

 

Severino Figueiredo

Foi sonho!

Linda que me mata
Linda que me faz viver
Teu cabelo bagunçado
Aumenta a vontade de amar você.
Linda que me beija
Linda que me abraça
Ah! esse teu olhar:
É uma grande ameaça.
Linda do meu querer
Dona desse palpitar
Infelizmente acordei:
Como é ruim ter que sonhar!

 

Severino Figueiredo